No LíderCast, contei um pouco da minha trajetória: da Faculdade Nacional de Medicina da UFRJ ao Instituto Emílio Ribas, da UTI à infectologia, do paciente ao Conselho Federal de Medicina. Replico aqui porque muita gente me pergunta como se faz um infectologista — e por que ainda vale a pena.
O começo na UFRJ
Formei-me na Faculdade Nacional de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mérito acadêmico (Cum Laude). A medicina pública brasileira tem suas dores, mas forma médicos com volume e diversidade que poucos sistemas formam.
O Emílio Ribas
Fiz residência médica em Infectologia no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo — um dos centros de referência da América Latina. Atuei como médico assistente da UTI da mesma instituição. Trabalhar com doenças infecciosas em terapia intensiva é, em essência, lidar com o limite: do organismo, da ciência, do sistema.
Por que infectologia
Infectologia é a especialidade que mistura epidemiologia, microbiologia, imunologia, clínica e saúde pública. Você cuida do paciente e da comunidade ao mesmo tempo. Vê ciência aplicada no dia a dia: vacina nova, antibiótico novo, vírus que volta, surto que aparece, política pública que decide.
CFM
Em 2024, fui eleito Conselheiro Federal de Medicina por São Paulo. É um trabalho diferente: o conselho zela pela ética e pelo bom exercício da medicina no país inteiro. Câmara técnica de infectologia, debates regulatórios, posicionamento profissional.
Conselho para quem quer fazer infectologia
- Estude bem clínica médica primeiro. Infectologia parte de uma base clínica sólida.
- Procure residência em centro com alto volume e diversidade de doenças.
- Leia muito, mas com método: meta-análises, diretrizes, casos clínicos.
- Mantenha sempre o paciente no centro da decisão.
- Aprenda a comunicar — em saúde pública, o que não é compreendido não funciona.
Por que ainda vale
Medicina é profissão exigente, pesada, com cobrança alta e remuneração desigual no Brasil. Mas é uma das poucas em que se está no momento exato em que o sentido humano da vida se mostra: nascimento, dor, recuperação, morte. Vale, sim. Mas precisa entrar de olhos abertos e coração inteiro.