A sífilis é uma doença antiga, tratável com um único medicamento barato e disponível há 80 anos. Mesmo assim, em 2026, vivemos uma epidemia silenciosa no Brasil. Como chegamos aqui?
Os números
Entre 2010 e 2024, os casos de sífilis adquirida cresceram quase 1.000%. A sífilis congênita (quando a mãe transmite ao bebê) também subiu de forma alarmante. Em 2024, foram mais de 250 mil casos registrados, e estima-se que o número real seja muito maior.
Por que voltou?
- Queda no uso de preservativo, em parte por causa do sucesso da PrEP e da invisibilidade da sífilis
- Diagnóstico tardio: muitas vezes assintomática nas primeiras fases
- Acesso ainda irregular à penicilina benzatina em UBS
- Estigma e desinformação
As três fases
Sífilis primária: uma única ferida indolor (cancro duro), que aparece 10-90 dias após o contágio e desaparece sozinha em 2-6 semanas. Como não dói, muita gente nem nota.
Sífilis secundária: manchas avermelhadas na pele, inclusive em palmas e plantas, lesões em mucosas, febre, gânglios. Também regride espontaneamente.
Sífilis terciária ou neurossífilis: anos depois, atinge coração, sistema nervoso, ossos. Pode matar.
Como testar
Teste rápido em qualquer UBS, gratuito, com resultado em 20 minutos. Toda gestante deve ser testada no pré-natal (primeiro trimestre, terceiro trimestre e na maternidade). Toda pessoa sexualmente ativa: uma vez por ano, no mínimo.
Tratamento
Penicilina benzatina (Benzetacil), 1 a 3 doses intramusculares conforme a fase, é o tratamento padrão-ouro há décadas. Para alérgicos, doxiciclina por 14-28 dias. Parceiros devem ser tratados simultaneamente.
Sífilis congênita: a tragédia evitável
Quando uma gestante com sífilis não tratada (ou tratada inadequadamente) transmite ao feto, o bebê pode nascer com sequelas neurológicas, ósseas e até morrer. Isso é 100% evitável com pré-natal completo e tratamento da mãe e do parceiro.
O que fazer
Use preservativo. Faça teste anual. Se positivo, trate-se e leve o(a) parceiro(a) para tratar também. E lembre: estar tratado por sífilis no passado não imuniza contra novo contágio.