Em 1996, o HIV era uma sentença. Em 2026, virou doença crônica controlável — e pode ser evitado com um comprimido por dia. A PrEP mudou tudo.
O que é PrEP
PrEP é a sigla em inglês para "profilaxia pré-exposição": uso de medicação antirretroviral por pessoas HIV-negativas com risco aumentado de exposição, para impedir a infecção. No SUS, é oferecida a combinação fixa tenofovir + entricitabina (TDF/FTC) em comprimido único diário.
Eficácia
Quando usada corretamente, a PrEP reduz o risco de infecção pelo HIV via sexual em mais de 99%. Em uso parenteral (compartilhamento de seringas), a redução é de cerca de 74%. É a intervenção preventiva mais eficaz que existe contra o HIV, depois da abstinência.
Para quem é indicada
O SUS disponibiliza PrEP a qualquer pessoa com indicação clínica, especialmente:
- Homens gays e bissexuais com prática sexual desprotegida
- Pessoas trans e travestis
- Profissionais do sexo
- Parceiros sorodiferentes (um positivo, outro negativo)
- Pessoas com história de IST recorrente
- Uso recorrente de PEP (profilaxia pós-exposição)
Como acessar no SUS
Procure um SAE (Serviço de Atendimento Especializado em IST/HIV) ou unidade de saúde com PrEP. Você fará avaliação clínica, testes rápidos (HIV, sífilis, hepatites) e, se elegível, receberá a medicação gratuitamente. O acompanhamento é trimestral.
Efeitos colaterais
A maioria das pessoas tolera bem. Os mais comuns: náusea, cefaleia ou diarreia nas primeiras 2-3 semanas, geralmente leves e autolimitados. A função renal é monitorada periodicamente.
PrEP injetável
Cabotegravir injetável (a cada 2 meses) já foi aprovado no Brasil e está sendo incorporado em programas específicos. É uma alternativa para quem não se adapta ao comprimido diário.
Importante: PrEP não protege contra outras ISTs
Sífilis, gonorreia, clamídia e hepatites continuam transmissíveis. O uso do preservativo permanece recomendado, e a testagem regular é parte do acompanhamento.
Por que isso mudou o jogo
Na época pré-PrEP, a única estratégia era usar preservativo todas as vezes — algo nem sempre realístico. Hoje, com PrEP + tratamento como prevenção (pessoas com HIV com carga viral indetectável não transmitem o vírus), temos pela primeira vez ferramentas reais para reverter a epidemia.