Foi um obstetra húngaro, Ignaz Semmelweis, em 1847, que descobriu o óbvio: lavar as mãos antes de partos reduzia drasticamente a mortalidade. Foi demitido por isso. Hoje, 178 anos depois, ainda subestimamos o gesto.
Por que funciona tão bem
A maioria das infecções respiratórias (gripe, COVID, vírus sincicial) e digestivas (rotavírus, norovírus, hepatite A, salmonella) é transmitida por contato com superfícies contaminadas, seguido de toque na boca, nariz ou olhos. Lavar as mãos quebra essa cadeia.
Meta-análises mostram que a higiene regular das mãos reduz em 16 a 40% as infecções respiratórias agudas e em até 30% as diarreias na população geral.
Como lavar do jeito certo
- Molhe as mãos com água corrente
- Aplique sabão (líquido de preferência)
- Esfregue palmas, dorsos, entre os dedos, polegares e ponta dos dedos por 20 segundos (cante "Parabéns pra você" duas vezes)
- Enxágue bem
- Seque com toalha limpa ou papel
Quando o álcool gel basta — e quando não
O álcool gel 70% é altamente eficaz contra a maioria dos vírus envelopados (gripe, COVID, herpes) e bactérias. Não é eficaz contra norovírus, rotavírus, Clostridium difficile (causa de diarreia em hospitais) e nem contra fezes ou sujeira visível.
Regra prática: mãos visivelmente sujas, contato com fezes/vômito, antes de cozinhar e depois do banheiro = água e sabão. Em outras situações, álcool gel resolve.
Os 5 momentos críticos (OMS)
- Antes de comer ou cozinhar
- Depois de usar o banheiro
- Ao chegar em casa ou ao trabalho
- Depois de tocar lixo, animais ou superfícies em locais públicos
- Antes e depois de cuidar de doentes ou bebês
Crianças
Ensinar higiene das mãos é uma das medidas mais simples e baratas para reduzir absenteísmo escolar. A música dos 20 segundos vira hábito quando virada brincadeira.
Resumo
Vinte segundos, água e sabão. Mais barato que qualquer remédio. Mais eficaz do que parece. Saúde pública começa na pia.